Índice

Capítulo 1

Capítulo 2


Capítulo 3


Capítulo 4


Questionário


Formulário


Planilhas

   


Como ultrapassar barreiras?

Já vimos as várias barreiras ou empecilhos aos nossos esforços de redução e/ou otimização de custos. Ultrapassá-las será sempre possível, a partir de um esforço organizado e paciente das pessoas envolvidas, além de recursos de tempo e informações a par da motivação para se experimentar a mudança e o endosso da direção da empresa para fazê-lo. Diversas Técnicas podem nos ajudar a perseguir e atingir tal objetivo, entre elas:

A) A ANÁLISE DO VALOR

Que focaliza, diferentemente do tradicional controle de custos, as "funções" dos produtos - bens e serviços - oferecidos. Assim, ao invés de se procurar REDUZIR CUSTOS iremos OTIMIZAR AS FUNÇÕES, ou seja, os benefícios e características que garantam algum tipo de vantagem ou atendam a uma necessidade do usuário/consumidor, procurando-se obtê-las PELO MENOR CUSTO possível;

B) A MATRIZ DE OTIMIZAÇÃO

Onde milhares de oportunidades de otimização podem surgir a partir do cruzamento dos RECURSOS CONSUMIDOS com ATIVIDADES e SETORES das empresas;

C) O ORÇAMENTO BASE - ZERO

Que modifica o sistema usual de se programar e orçar custos abrindo alternativas para a execução das atividades, tanto aumentando quanto diminuindo as verbas respectivas e excitando a criatividade do pessoal envolvido.

Tais TÉCNICAS são apresentadas, em detalhe, a seguir.

O que é a Análise do Valor?

É uma técnica de otimização de recursos que utiliza a ANÁLISE DAS FUNCÕES de um produto (bem ou serviço) objetivando custos menores (produtividade) e adequação às necessidades do cliente (qualidade).

O VALOR de um produto varia em função da PRODUTIVIDADE aplicada e da QUALIDADE FINAL obtida.

OBJETIVO DA ANÁLISE DO VALOR

1. O Que é a AV?

Pouco depois da 2ª. Grande Guerra, o Diretor de Engenharia de Produto da General Electríc, nos Estados Unidos, encarregava um engenheiro novato — Lawrence Miles - de revisar os custos de um projeto a ser desenvolvido para um importante cliente. Miles levou o projeto para casa, num fim de semana e voltou com uma redução de custos estimada em 50% do custo original! Como foi isso possível? Bem, Míles tinha simplesmente aplicado algumas idéias que tinha visto funcionar no Dept9 de Compras da GE, durante a guerra.

A partir desse surpreendente resultado, e de outros mais, obtidos a partir de uma abordagem diferente e original, Miles foi encarregado pela GE de desenvolver e aprofundar suas idéias e, com recursos de tempo e dinheiro, trabalhou durante cerca de quatro anos no desenvolvimento de uma técnica que passou a chamar-se "Value Analysis" (ou "Value Engineenng").

Alguns anos depois, os resultados alcançados por Miles — objeto de um livro de sua autoria, editado na década de 60 - iam muito além da mais audaciosa expectativa. Em alguns casos, os incrementos de produtividade no processo, a redução de custos com materiais e pessoal ou a modificação e melhoria do produto submetido à "Value Analysis' tinham trazido vantagens até bem superiores aos 50% citados. De fato, houve casos em que todos os custos tinham sido eliminados pela supressão da tarefa, do componente ou mesmo de todo o produto final.

A idéia central de Miles é simples: Vamos esquecer, por uns instantes, o Produto e do que é ele feito, e vamos concentrar nossa atenção em suas Funções. Por si só, nada é "caro" ou "barato", custo é um conceito relativo, diz ele. O importante é o Valor adicionado ao Produto e o Custo desse incremento. A Análise do Valor justamente identifica os custos "desnecessários", isto é, aqueles que nada acrescentam à qualidade, à utilidade, à aparência ou ao desempenho do produto, do ponto de vista do usuário ou Consumidor.

O fato é que, dessa idéia central, desenvolveu-se uma técnica que vem apresentando resultados notáveis nos mais diversos campos, desde a produção, passando pelo "Marketíng" até a análise de sistemas e processos na administração geral das empresas. A Marinha dos Estados Unidos, a NASA e diversas entidades públicas e administrações estaduais e municipais norte-americanas já aplicam a técnica e exigem seu emprego de parte dos seus fornecedores e contratantes de serviços. A Westinghouse e a General Motors têm setores especializados no

sunto, e já agora, alguns milhares de engenheiros e consultores de empresas desenvolvem "Análise do Valor", com as mais diversas finalidades, na Europa inclusive, onde cada vez mais é aplicada na Grã-Bretanha, Itália, França e Alemanha. No Brasil há várias empresas que também já aplicam a técnica entre nós, como a Phillips, a Mercedes Ben.z, a Microlab, a Ford Motors etc.

2. Análise de Valor x Redução de Custos "Tradicional"

Como vimos mais atrás, a empresa a partir da Fase Sistêmica não consegue mais transferir simplesmente os incrementos de custo ao consumidor final. E a solução apresentada foi, então, a do incremento da produtividade, da otimização de custos, a partir de uma intervenção corretiva e administrada do processo produtivo.

Entretanto, qual a abordagem tradicional usualmente empregada na redução e otimização de recursos e de custos? Como vimos, em vários exemplos anteriores, a Contabilidade de Custos desdobra o produto em seus elementos componentes (Análise por Elemento) ou nas etapas do processamento (Análise por Centro de Custo) ou, focaliza a natureza e a variabilidade dos custos (Análise dos Custos variáveis e fixos) tirando, daí, uma série de alternativas para seus esforços de redução de custos. Após todo esse trabalho —argumenta Miles - se obtivermos uma redução de custos de 1% ou 2% estaremos obtendo um resultado geralmente considerado até bem significativo. Mas o que faria a A. V.?

Ora, a Análise do Valor objetiva alcançar economias mais substanciais e abordaria o problema de um ângulo totalmente diferente. Em primeiro lugar, ela procuraria "esquecer" o produto, isto é, abandonaria a análise dos custos de produção e distribuição, focalizando sua atenção nas "funções" garantidas por ele, ou seja, nas necessidades do consumidor atendidas pelo produto, hierarquizando-as a partir de sua importância relativa, em termos de quantidade, qualidade, relevância etc. Se as funções —classificadas em Principais, Secundánias e Acessórias — não apresentarem uma relação equilibrada "custo x valor" a "Análise do Valor" tem aí a sua oportunidade. Aliás, é assim que a E.IA.-—Eletrocnics - Industries Association, dos Estados Unidos, define a "Análise do Valor".

É aplicação sistemática de técuicas objetivando:

a) Identificar as funções de um produto:


b
) Estabelecer um valor para essas funções;

c) Prover funções a menor custo possível;

d) Garantir, ao mesmo tempo, qualidade igual ou melhor ao consumidor

Do ponto de vista da Análise de Valor, um produto é meramente um conjunto de funções de uso e de estima. Seu formato, cor, peso, aspecto físico são relativamente irrelevantes. O usuário ou consumidor procura nele ou através dele o atendimento e uma necessidade prática ou até subjetiva (função "beleza") e é isso que lhe dá valor. Entretanto, bem sabemos que as necessidades do mercado variam velozmente e que " se o produto funciona, ele está obsoleto!"

Assim, com freqüência, uma série de custos inúteis estão incluídos, sem que o saibamos, no custo total de um produto. O "Bureau Internacional do Trabalho" cita esses custos desnecessários, esquematicamente representados no Quadro 1.

Há sempre um custo mínimo irredutível na obtenção do produto (ou de um outro com funções equivalentes), ao qual se acrescentam:

I- Custos devidos às horas de mão-de-obra e de horas-máquina perdidas por deficiência de controle e programação, entrega do matérias-primas etc. Aí é a zona do ação do PCP Planejamento e Controle de Produção, que tem primordial importância nas indústrias por encomenda ou de montagem.

II- Custos devido aos métodos de fabricação mal adaptados. Pode estar ocorrendo uma utilização inadequada de uma máquina ou ferramenta não apropriadas para aquela operação. Ou o fluxo de processamento pode estar errado e o operário estar empregando métodos pouco eficientes. Os estudos de Sistemas e Métodos podem analisar e resolver satisfatoriamente esse tipo de problema

III- Custos suplementares e desnecessários devido à concepção ou especificação inadequada do produto. Pode estar ocorrendo, por exemplo, uma ausência de estandardização eficiente, exigências exageradas com relação à tolerância ou acabamento e desenhos de projetos não voltados para processos eeconômicos de produção. Ou o produto exibe funções desnecessárias", `isto é, características e propriedades do produto que não atendem a necessidades significativas do consumidor, deixando de oferecer, por outro lado, funções que atenderiam certas exigências ou prestariam os serviços realmente exigidos pelo usuário. Aí está a área de ação da "Análise de Valor", com um potencial de otimização de custos extremamente alto.

A diferença essencial da abordagem do item III, é que nesta a marcha da análise é de "fora para dentro", isto é, do consumidor para o produto. De suas necessidades reais para a concepção e definição do produto e, do ponto de vista do mercado, como já disse Miles, " um grama da concepção vale mais que um quilo de controle de custos ". Assim, a Análise do Valor começa a atuar justamente no ponto onde param os métodos tradicionais de Engenharia Industrial.

3. Análise do Valor(A.V.): como se Faz?

Em síntese, o processo consiste em aplicar a Abordagem Funcional a partir de Técnicas de Criatividade.

A abordagem funcional pode assumir várias formas, todas voltadas para a análise da(s) função (ões) em detrimento do enfoque no produto como um dado central do problema. Para a AV no produto nada existe necessariamente, já que ele deve materializar um conjunto de necessidades do consumidor, a serem satisfeitas pelo menor custo possível.

A abordagem funcional pode ser exemplificada através da Análise do Valor de, por exemplo, um prendedor de gravata. Examinando as funções do prendedor é fácil observar que ele tem funções de uso como a de segurar a gravata, evitar que ela caia na sopa, ou nas engrenagens

perigosas e sujas de óleo de uma máquina. Entretanto, parece também óbvio que um prendedor tem outras funções...

A função "prender a gravata" é, evidentemente, a principal, pois sua falta descaracteriza completamente o prendedor como tal; sem ela talvez ninguém o comprasse... Mas essa função, embora valiosa, poderia muito bem ser alternativamente desempenhada por um grampo, por um alfinete ou clip de papel. Ora, todos esses produtos não custariam mais que um centavos ou pouco mais. Daí concluiria a Análise do Valor que é de justamente Um Centavo o "valor-função" do prendedor de gravata!

QUAL A FUNÇÃO

"PRINCIPAL" DE UM

PRENDEDOR DE

GRAVATA?

Com feito, o " valor-função " de um bem ou serviço é igual ao custo da alternativa mais econômica - a de custo menor possível - que garanta as funções absolutamente necessárias do produto. Mas, então, por que será que custa mais, geralmente muito mais um prendedor? Evidentemente porque, quando o adquirimos, estamos também comprando as funções. "secundárias" inerentes ao prendedor. O que não tem nada de errado por si mesmo, desde que saibamos que estamos, de fato, comprando "outras funções" e qual o "custo adicional" dessas funções acrescentadas à principal. Assim, poderíamos ter, para o prendedor o seguinte quadro de análise funcional, diferente para cada tipo de usuário:

QUAIS AS FUNÇÕES

DE UM PRENDEDOR

DE GRAVATA DO

CORRETOR-ZOOLÓGICO?




Exemplo de análise de valor de uma plaina

O QUE É O PRODUTO?

1) O que é produto?
Uma plaina

2) Quanto custa?
Kr$ 40,00

3) Quantas peças tem?
19 "dezenove"

4) Para que serve?
Cortar madeira, plásticos etc.

5) Quantidade a ser produzida?
Atualmente 50.000/ ao ano
Futuro próximos cinco anos no mínimo


6) Economia provável:
10% de Kr$ 10.000.000

7) Qual a função principal?
Cortar madeira

8) outras maneiras de realizar a função principal
custos
R$
Serras
10,00
Faca
3,00
Tesoura
4,00
Machado
15,00
Lixa
0,50
Lâmina de barba
3,00
Lima
7,00
Torno mecânico
200,00
Formão
12,00

9) quais as três melhores alternativas?

Lima, Lâmina de barbear, Faca.

10) Quais as idéias a desenvolver?

1a- ESCOLHA: LÂMINA

2a- ESCOLHA: FACA

11) OUTRAS CARACTERÍSTICAS A LEVAR EM CONTA?

Superfície plana de trabalho

Aceitação

Superfície Plana de Trabalho

Aceitação de Materiais

Plásticos

Apoio para a mão

Forma Estética

Solidez

Poder Afiar

Somente Três Peças