ALBERT EINSTEIN - Breve Biografia

Neresgton Ribeiro Mendes Neto



ALBERT EISNTEIN - Breve Biografia






Não se sabe se foi antes ou depois de 8 de agosto de 1876 que Hermann Einstein se tornou sócio da empresa de colchões de penas de Israel e Levi. O certo é que, nessa época, ele, a mãe e todos os irmãos e irmãs viviam já há algum tempo em Ulm, na região de Württemberg. Nesse dia 8 de agosto, Hermann casou-se com Pauline Koch na sinagoga de Cannstatt. O jovem casal estabeleceu-se em Ulm, primeiro na Münsterplatz e depois, ao findar o ano de 1878, da Bahnhofstrasse.

Numa ensolarada sexta-feira do março seguinte nasceu o primeiro filho, um cidadão do novo império alemão, a que Württemberg se havia unido em 1871. No dia seguinte, Hermann foi registrar o filho. Na certidão de nascimento consta: N° 224. Ulm, 15 de março de 1879. Hoje o comerciante Hermann Einstein, residente em Ulm, Bahnhofstrasse, 135, judeu, pessoa conhecida, compareceu perante o escrivão abaixo assinado e declarou que uma criança do sexo masculino, que recebeu o nome de Albert, nasceu em Ulm., na sua residência, filho de Pauline Einstein, sua esposa, com o sobrenome Koch de solteira, judia, no dia 14 de março de 1879, às 11:30h. Lido confirmado e assinado: Hermann Einstein. O escrivão, Hartman. A casa de Bahnhoftrasse viria a ser destruída durante um ataque aéreo em 1944, mas o registro de nascimento ainda se encontra nos arquivos de Ulm.

Albert foi o primeiro de dois filhos de Hermann e Pauline. No dia 18 de novembro de 1881, nasceu a irmã, Maria. Talvez nunca tenha existido um ser humano a quem Einstein se sentisse mais ligado do que à irmã – Maja, como sempre a chamou. A escolha de nomes não ancestrais para as duas crianças ilustra a disposição assimilacionista da família Einstein, disposição difundida entre os judeus no século XIX. Albert herdou o nome (se assim se pode dizer) do avô Abraham, mas não se sabe como foi escolhido o nome de Maria. Predominava na família um espírito liberal, não dogmático, face à religião. Os próprios pais tinham sido educados desta forma. Não se discutiam os assuntos religiosos e os preceitos. O pai de Albert orgulhava-se de não se praticarem os ritos judaicos em sua casa.

O ensaio biográfico de Maja sobre o irmão, terminado em 1924, é a principal fonte de recordações familiares sobre os primeiros anos de Einstein. Informa-nos da preocupação da mãe, quando Albert nasceu, por causa da grande e angulosa parte posterior da cabeça do bebê (esta forma invulgar do crânio seria permanente), da primeira reação de uma das avós ao ver o mais jovem membro da família: “Viel zu dick! Viel zu dick!” [“Pesado demais!”] e dos primeiros receios de que a criança pudesse ser atrasada, por causa do tempo excessivo que levou para começar a falar. Estes receios eram infundados. Segundo uma das primeiras memórias de infância do próprio Einstein, “quando tinha entre dois e três anos, ele queria dizer frases completas. Ensaiava a frase para si mesmo, dizendo-a em voz baixa. Se lhe parecia boa, pronunciava-a em voz alta”. Era muito calmo quando pequeno, preferindo brincar sozinho. Todavia, também era temperamental. Podia explodir de cólera. “Nesses momentos a face empalidecia, a ponta do nariz embranquecia e podia descontrolar-se.” O pequeno e querido Albert chegou a arremessar objetos na irmã em várias ocasiões, mas os ataques de cólera cessaram por volta dos sete anos. A relação entre os pais era de harmonia e muito amor, tendo a mãe a personalidade mais forte. Pianista talentosa, levara a música para casa, de forma que a educação musical dos filhos começou cedo. Maja aprendeu a tocar piano. Dos seis aos treze anos, aproximadamente, Albert aprendeu violino, que se tornou seu instrumento predileto, embora tocá-lo fosse para ele uma pesada obrigação durante quase todos esses verdes anos, quando recebia lições de Herr Schmied. Aprendeu sozinho a tocar um pouco de piano e gostava muito de improvisar neste instrumento.

Hermann Einstein, homem tranqüilo, bondoso e muito calmo, estimado por todos que o conheceram, gostava de literatura e à noite costumava ler em voz alta Schiller e Heine para a família. Heine manter-se-ia sempre como um dos autores prediletos de Albert. Hermann havia dado mostras de talento matemático no ensino médio, mas as esperanças de estudo universitário não se concretizaram porque a família não tinha recursos para tal.

A participação de Hermann no negócio de colchões não foi muito bem sucedida. Logo após o nascimento de Albert, Jakob, irmão mais novo de Hermann, engenheiro empreendedor e dinâmico, propôs que iniciassem conjuntamente um pequeno negócio de instalações de gás e água em Munique. Hermann concordou em responsabilizar-se pela parte comercial e também em investir uma parte substancial dos próprios recursos e dos de Pauline no negócio. Em 21 de junho de 1880, Hermann e a família mudaram-se para Munique. O modesto negócio, que abriu no dia 11 de outubro, teve um começo promissor, mas Jakob tinha ambições maiores. Alguns anos mais tarde, propôs que construíssem uma fábrica para produzir dínamos, lâmpadas e equipamento elétrico de medida para estações elétricas municipais e sistemas de iluminação, e que comprassem, em conjunto, uma casa em Sendling, um subúrbio de Munique. Estes planos concretizaram-se em 1885, com suporte financeiro da família, especialmente do pai de Pauline. A firma foi registrada oficialmente em 6 de março de 1885. Albert e Maja adoravam a nova casa em Adelreiterstrasse, com um amplo jardim, matizado por grandes árvores. Parece que o negócio correu bem no início. Num livro intitulado Versogung von Städten mit elektrischem Strom (“Fornecimento de corrente elétrica a cidades”) encontramos quatro páginas dedicadas à Elektrotechnische Fabrik J. Einstein und Co., em Munique, e verificamos que os irmãos forneceram estações de força a Munique-Schwabing, bem como a Varèse e Susa, na Itália.

Por conseguinte, Einstein passou os primeiros anos num meio aprazível, estável e estimulante. Já próximo dos setenta anos, mencionou uma experiência singular nesse período: “Testemunhei um milagre (...) quando em criança, com quatro ou cinco anos de idade, meu pai me ofereceu uma bússola”. Esta excitou tanto o garoto que “ele tremeu e se arrepiou”. “Por trás dos objetos deve haver algo que permanece profundamente oculto (...) o desenvolvimento do nosso mundo de pensamentos é, num certo sentido, uma fuga ao milagre”, disse. Estas experiências contribuíram bem mais para o crescimento de Einstein do que a escola formal.


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Neresgton Ribeiro Mendes Neto